Sobre o Labtempo
A trajetória do Labtempo
O percurso histórico do Laboratório pode ser dividido em dois momentos ou mesmo em duas fases, sendo elas:
Primeira fase (2010 a 2016): Núcleo de História Oral e Grupo de Estudos sobre Ditadura Militar.
Segunda fase (2016 – atualmente): Formalização do Laboratório de Estudos em História do Tempo Presente (Labtempo).
Primeira fase
2010:
O ano de 2010 marca o início da trajetória institucional que daria origem ao LABTEMPO. Neste período, foi firmado um convênio entre o Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES) e o Departamento de Arquivologia (DEPARQ) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com o objetivo de promover o estudo e a preservação de documentos relacionados à história recente do Estado.
A parceria possibilitou o início das pesquisas no acervo do extinto Departamento de Ordem Política e Social do Estado do Espírito Santo (DOPS/ES), bem como a digitalização sistemática de seus documentos. Esses esforços abriram caminho para a produção de dissertações de mestrado vinculadas ao Programa de Pós-Graduação em História da Ufes, além da organização e publicação de livros que abordam o autoritarismo, a repressão política e a memória no contexto capixaba.
2011 – 2012:
Em 2011, foi promulgada a Lei nº 12.528, que instituiu a Comissão Nacional da Verdade (CNV), formalmente instalada em 16 de maio de 2012. A criação da CNV representou um marco fundamental para o processo de reconhecimento e investigação das violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura civil-militar brasileira (1964–1985). Esse contexto impulsionou a criação de comissões estaduais e universitárias em todo o país, abrindo espaço para o aprofundamento das pesquisas históricas, o fortalecimento das políticas de memória e o acesso a arquivos antes restritos.
2013:
Em consonância com o movimento nacional, foi instituída, em março de 2013, a Comissão da Verdade da Universidade Federal do Espírito Santo (CV-UFES). Criada pela Portaria nº 478/13 da Reitoria da Ufes, a comissão teve como objetivo examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período ditatorial, com foco específico no contexto capixaba e na comunidade universitária. A coordenação dos trabalhos foi assumida pelo Professor Dr. Pedro Ernesto, que conduziu os esforços de coleta documental, entrevistas e sistematização das informações, em articulação com outras instâncias da sociedade civil e da academia.
Segunda fase
2016 – atualmente:
A publicação do Relatório Final da Comissão da Verdade da Ufes, em 2016, representou um marco simbólico e institucional para os trabalhos desenvolvidos até então. Os desdobramentos da comissão despertaram o interesse crescente de estudantes, especialmente nos cursos de Arquivologia e História, pela temática da ditadura civil-militar, das violações de direitos humanos e das políticas de memória e justiça de transição no Brasil.
O que inicialmente funcionava como um núcleo de estudos vinculado à Arquivologia consolidou-se, nesse processo, como o Laboratório de Estudos em História do Tempo Presente (Labtempo), reunindo pesquisadores dedicados à investigação crítica da história recente brasileira. Muitos dos discentes que participaram ativamente dos trabalhos da Comissão da Verdade passaram a desenvolver projetos de Iniciação Científica e, posteriormente, a ingressar na pós-graduação com pesquisas voltadas a temas relacionados à repressão política, censura, arquivos e memória social.
Em 2019, o professor Pedro Ernesto, coordenador do Labtempo e figura central na condução da CV-Ufes, passou a integrar o Departamento de História da Ufes (DEPHis), fortalecendo ainda mais o vínculo entre o laboratório e os programas de ensino e pesquisa em História.
A partir de 2020, com a chegada de novos estudantes e colaboradores, o Labtempo ampliou significativamente seu escopo de atuação. Além de diversificar os temas investigados no campo da História do Tempo Presente, o laboratório passou a promover eventos acadêmicos e ações de extensão voltados ao diálogo entre universidade, escolas e sociedade civil, reforçando seu compromisso com a produção de conhecimento crítico, interdisciplinar e socialmente engajado.